domingo, 23 de julho de 2017
sábado, 22 de julho de 2017
Blue Butterfly
Sou a tua borboleta azul,
venho lá do longe, do farol
apagado,
Meu voar é tão gracioso e eu só
queria voar,
sim voar até o moinho abandonado.
Tens-me agora em tuas delicadas mãos, em
teus domínios,
Solte-me, deixe-me voar, encante-se com meu voo,
eu nasci para voar e as flores precisam de mim,
pois além de bela sou a continuidade do
teu jardim.
Encante-se com bailado do meu voar,
quero levá-la ao delírio e tua flor
polinizar.
Não serei borboleta de um só dia,
serei a borboleta a encantar a tua vida e
a poesia.
Sou a borboleta da esperança,
sou o despertar dos teus sonhos
adormecidos e esquecidos,
sou o alvorecer do teu amanhecer.
Me diga agora o que queres tu fazer?
Sairei eu a voar ou irei morrer?
Se me deixares voar eu prometo voltar
e na tua flor sempre pousar e deleitar.
Se em tuas mãos destino morte,
pense na sorte que deixará escapar,
pois eu só desejava te amar.
Lamento dos Imperfeitos - Estrelas
Em noites de céu apagado
desenhos as estrelas no chão
Em noites de céu estrelado
eu pego as estrelas com a mão
E quando a agonia cruza a estrada
Eu peço pra Deus me dar sua mão
Padre Fabio de Melo
Padre Fabio de Melo
Lamento dos Imperfeitos
Não sou perfeito
Estou ainda sendo feito
E por ter muito defeito
Vivo em constante construção
Sou raro efeito
Não sou causa e a respeito
Da raiz que me fez fruto
Desfruto a divina condição
Padre Fabio de Melo
Um paraíso na terra
A chuva cai tanto nas ervas daninhas quanto nas flores,
e o sol brilha tanto nas prisões quanto nas igrejas.
A luz de Deus não discrimina
e a nossa luz também não deveria discriminar.
Não existe um só caminho,
uma única maneira, uma igreja ou ideologia.
Existe apenas uma luz.
Quando as cercas caírem,
todas as flores poderão desabrochar juntas
em um jardim de esplendor incomparável,
um paraíso na Terra.
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Quero
Quero todo o teu espaço
e todo o teu tempo.
Quero todas as tuas horas
Quero todas as tuas horas
e todos os teus beijos.
Quero toda a tua noite
e todo o teu silêncio.
Mário Quintana
Aqueles
Aqueles que me conhecem sabem.
Aqueles que não me conhecem julgam.
Aqueles que pensam que sabem
tudo sobre mim, estão enganados.
Para ver o que poucos viram
você tem que ir onde poucos foram...
Buda
Aqueles que não me conhecem julgam.
Aqueles que pensam que sabem
tudo sobre mim, estão enganados.
Para ver o que poucos viram
você tem que ir onde poucos foram...
Buda
quarta-feira, 19 de julho de 2017
A Bicicleta
Porque a vida é como andar de bicicleta:
quando você perde o medo,
aprende, está indo muito bem e feliz...
Aí Deus diz: Ok, agora sem rodinhas!
Caio F. Abreu
Caio F. Abreu
terça-feira, 18 de julho de 2017
Fantasmas
Já não temo fantasmas
invoco a todos
que venham em bando
povoar meus dias
atormentar minhas noites
entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me
falta.
Alice Ruiz
invoco a todos
que venham em bando
povoar meus dias
atormentar minhas noites
entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me
falta.
Alice Ruiz
A imaginação
A imaginação, com o voo ousado, aspira
a princípio à eternidade... Depois um
pequeno espaço basta em breve para os destroços
de nossas esperanças iludidas!...
segunda-feira, 17 de julho de 2017
domingo, 16 de julho de 2017
Ela não é solitária
Ela não é solitária
mas ama profundidade
e nos lugares profundos
não existe muita gente
Zack Magiezi
Zack Magiezi
sábado, 15 de julho de 2017
Anjos
Porque os homens são anjos nascidos sem asas,
é o que há de mais bonito,
nascer sem asas e fazê-las crescer.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
quinta-feira, 13 de julho de 2017
O que diz a Bíblia sobre o Amor
O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Bíblia
Num perfume de rosas brancas
Num perfume de rosas brancas
Ela esta ausente e sonha
e a sombra é bela como se nela se mirasse um anjo...
A sombra desce, o bosque adormece
entre as folhas e os ramos
sobre o céu azul abre-se um céu dourado
Uma voz que antes cantava murmura agora...
Um murmúrio exala-se em suspiro e extingue-se.
No silêncio,tombam pétalas...
terça-feira, 11 de julho de 2017
Cheiro de terra molhada
Chuva que chega de mansinho
trazendo o cheiro de terra molhada,
o barulho suave no telhado que acalma,
o frescor no ar com a dança suave e agradecida das plantas e a vida que se renova em gotas de amor que caem do céu, graciosamente
segunda-feira, 10 de julho de 2017
O Mágico veneno
Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;
Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;
Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento;
Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.
domingo, 9 de julho de 2017
Manoel por Manoel
Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do
ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade
do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não
pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem.
Quando era criança eu deveria pular muro do vizinho
para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de
peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra
era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um
serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma
infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais
comunhão com as coisas do que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz
comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e
suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago
das minhas raízes crianceiras a visão comungante e
oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro
me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que
eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem
de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde
havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era
o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino
e o rio. Era o menino e as árvores.
sábado, 8 de julho de 2017
Ao Luar
Quando, à noite, o Infinito se levanta
A luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha tactil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinitésimo e o Indeterminado...
Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o Espaço com a minha plenitude!
A realidade do amor
Que sempre existam almas
para as quais o amor seja também
o contato de duas poesias
a convergência de dois devaneios.
O amor, enquanto amor
nunca termina de se exprimir
e exprime-se tanto melhor
quanto mais poeticamente é sonhado.
Os devaneios de duas almas solitárias
preparam a magia de amar.
Um realista da paixão verá aí
apenas fórmulas evanescentes.
Mas não é menos verdade que as grandes paixões
se preparam em grandes devaneios.
Mutilamos a realidade do amor
quando a separamos de toda a sua irrealidade.
Gaston Bachelard
quinta-feira, 6 de julho de 2017
quarta-feira, 5 de julho de 2017
terça-feira, 4 de julho de 2017
Trens
Para onde vão os trens, meu pai? Para Mahal, Tamí, para Camirí, espaços no mapa,
e depois o pai ria:
também para lugar algum meu filho, tu podes ir e ainda que se mova o trem,
tu não te moves de ti
Que é que eu faço?
- Que é que eu faço?
É de noite e estou viva.
Estar viva esta me matando aos poucos,
e eu estou toda alerta no escuro.
Clarice Lispector
Clarice Lispector
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Quimeras...
Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.
Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.
Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...
Arthur Rimbaud
domingo, 2 de julho de 2017
Stand by me
When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see
No I won't be afraid, No I won't be afraid
Just as long as you stand, stand by me.Ben E King
sábado, 1 de julho de 2017
O movimento da alma
A alma dá ordens ao corpo e é imediatamente obedecida.
A alma dá ordens a si mesma e depara com resistências.
A alma ordena que a mão se mexa, e é uma operação tão fácil,
que mal se distingue a ordem de sua execução.
E, no entanto, a alma é alma e a mão é corpo.
A alma dá à alma a ordem de querer:
uma não se distingue da outra e no entanto ela não age.
De onde vem esse prodígio?
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