Vagando em versos

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sábado, 14 de outubro de 2017

Mistura de escuro e luz




Há um fogo que nasce
no fim da terra
com as cores fugazes
da atmosfera cansada
nas cinzas do ontem
que hoje, rasga a penumbra...


Vacilam as cores
numa mistura, de escuro e luz
na contraluz, do crepúsculo
as horas demoram nas veias!

Os ninhos não cantam
as aves ausentes, choram
nos risos do engano
deitado no sol da noite, inglória.

A paz é utopia
os homens de pedra vagueiam
nos passeios sem terra
gritam os inocentes
na altivez da fome!


Os olhos não veem
somente a alma sente
a sede de um povo
que se cala, desamparado da memória
ardem... queimam... doem
as dores que o crepúsculo
já não alimenta...

Será que ainda há homens que sentem?


Rosas no deserto




Perdidos no tempo
não andam os homens
andam os lamentos
que de tanto lamentarem
perdem o tempo
encharcados de egos
supérfluos e ocos...

Esquecem a forma conjuntiva
que tudo pode mudar
num simples gesto banal
de afetos triviais...

Entregas não geniais
mas sim genuínas
na força felina do amor
primordial
aquele que do chão se faz sol
no âmago fervente
do homem que no caminho
deixa os lamentos...

Com as mãos calejadas
os ombros erguidos
semeia rosas no deserto
por onde o deixam sozinho
com a lealdade a trespassar
todos os verbos litúrgicos
dos escribas diplomados!