Vagando em versos

terça-feira, 25 de julho de 2017

Somos o casamento da noite com o sangue


Meu amor, 
ao fechar esta porta nocturna 
peço-te, amor, 
uma viagem por um escuro recinto: 
fecha os teus sonhos, 
entra com teu céu nos meus olhos, 
estende-te no meu sangue 
como num largo rio. 

O que me dói




O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.


No teu olhar


Viva La Vida


A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.Rubem Alves

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Alma humana




A alma humana é como a água: 
ela vem do Céu e volta para o Céu, 
e depois retorna à Terra, 
num eterno ir e vir.

Os instantes superiores da alma



Os instantes Superiores da Alma 
Acontecem-lhe - na solidão - 
Quando o amigo - e a ocasião Terrena 
Se retiram para muito longe - 

Ou quando - Ela Própria - subiu 
A um plano tão alto 
Para Reconhecer menos 
Do que a sua Omnipotência

Diz-me, amor, como te sou querida



Dize-me, amor, como te sou querida, 
Conta-me a glória do teu sonho eleito
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito, 
Arranca-me dos pântanos da vida. 

Palavras


Poesia onipresente


Não é desta poesia que te falo.
Falo da poesia que te pode dar as asas
 de que precisas para realizar o infinito

Pingo de chuva


Enquanto caía, pensava um pingo de chuva:
_ Que importa deixar o céu, 
se estou indo fertilizar a terra?

domingo, 23 de julho de 2017

Atada




o silêncio é encantador.
Sou dele...
Ele é meu

a solidão é parceira.
aprecio sua frequência...
e sua influência

tempos de silêncio e solidão...

a noite é espirituosa.
seu som é mudo...
 seu momento é único
de ser
de estar
...




Notas sobre ela


Querer


sábado, 22 de julho de 2017

Ritmo


O ritmo tem algo mágico; 
chega a fazer-nos acreditar 
que o sublime nos pertence.

Blue Butterfly

Sou a tua borboleta azul, 
venho lá do longe, do farol apagado, 
Meu voar é tão gracioso e eu só queria voar, 
sim voar até o moinho abandonado.

Tens-me agora em tuas delicadas mãos, em teus domínios,
Solte-me, deixe-me voar, encante-se com meu voo, 
eu nasci para voar e as flores precisam de mim, 
pois além de bela sou a continuidade do teu jardim.

Encante-se com bailado do meu voar,
quero levá-la ao delírio e tua flor polinizar.
Não serei borboleta de um só dia,
serei a borboleta a encantar a tua vida e a poesia.

Sou a borboleta da esperança, 
sou o despertar dos teus sonhos adormecidos e esquecidos,   
sou o alvorecer do teu amanhecer.

Me diga agora o que queres tu fazer?
Sairei eu a voar ou irei morrer?
Se me deixares voar eu prometo voltar
e na tua flor sempre pousar e deleitar.
Se em tuas mãos destino morte,
pense na sorte que deixará escapar,

pois eu só desejava te amar.

Lamento dos Imperfeitos - Estrelas


Em noites de céu apagado
desenhos as estrelas no chão
Em noites de céu estrelado
eu pego as estrelas com a mão
E quando a agonia cruza a estrada
Eu peço pra Deus me dar sua mão

Lamento dos Imperfeitos


Não sou perfeito
Estou ainda sendo feito
E por ter muito defeito
Vivo em constante construção
Sou raro efeito
Não sou causa e a respeito
Da raiz que me fez fruto
Desfruto a divina condição


Um paraíso na terra

A chuva cai tanto nas ervas daninhas quanto nas flores, 
e o sol brilha tanto nas prisões quanto nas igrejas.
A luz de Deus não discrimina 
e a nossa luz também não deveria discriminar.
Não existe um só caminho, 
uma única maneira, uma igreja ou ideologia.
Existe apenas uma luz.
Quando as cercas caírem, 
todas as flores poderão desabrochar juntas
 em um jardim de esplendor incomparável,
 um paraíso na Terra

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Quero



Quero todo o teu espaço
e todo o teu tempo.
Quero todas as tuas horas
e todos os teus beijos.
Quero toda a tua noite
e todo o teu silêncio.

Aqueles


Aqueles que me conhecem sabem.
Aqueles que não me conhecem julgam.
Aqueles que pensam que sabem
tudo sobre mim, estão enganados.
Para ver o que poucos viram
você tem que ir onde poucos foram...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Mistérios


Nascemos para morrer, 
conhecemos pessoas para as deixar 
e ganhamos coisas para as perder.

Se


A Bicicleta


Porque a vida é como andar de bicicleta: 
quando você perde o medo, 
aprende, está indo muito bem e feliz... 
Aí Deus diz: Ok, agora sem rodinhas!

Fiquei




Fiquei. 
Você sabe que eu fiquei. 
E que ficaria até o fim, até o fundo...

terça-feira, 18 de julho de 2017

A Rosa


Fantasmas



Já não temo fantasmas
invoco a todos
que venham em bando
povoar meus dias
atormentar minhas noites
entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me
falta.

A imaginação




A imaginação, com o voo ousado, aspira
a princípio à eternidade... Depois um
pequeno espaço basta em breve para os destroços
de nossas esperanças iludidas!...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Loucura


Deixa que a loucura 
escorra em tuas veias. 
E quando te ferirem, 
deixa que o sangue jorre 
enlouquecendo também 
os que te feriram.

À noite

À noite, 
nas espeluncas por onde vagueamos juntos, 
o teu corpo nu parece um Anjo 
encarregado de vigiar a tua alma .

domingo, 16 de julho de 2017

Notas sobre ela


Ela não é solitária
mas ama profundidade
e nos lugares profundos
não existe muita gente

sábado, 15 de julho de 2017

Anjos


Porque os homens são anjos nascidos sem asas, 
é o que há de mais bonito, 
nascer sem asas e fazê-las crescer.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O que diz a Bíblia sobre o Amor

O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. 
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. 
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. 
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 

Num perfume de rosas brancas



Num perfume de rosas brancas
Ela esta ausente e sonha;
e a sombra é bela como se nela se mirasse um anjo...
A sombra desce, o bosque adormece; 
entre as folhas e os ramos
sobre o céu azul abre-se um céu dourado;
Uma voz que antes cantava murmura agora...
Um murmúrio exala-se em suspiro e extingue-se.
No silêncio,tombam pétalas...

Para nós, toda a paz do mundo!


De tudo..


terça-feira, 11 de julho de 2017

Cheiro de terra molhada



Chuva que chega de mansinho 
trazendo o cheiro de terra molhada, 
o barulho suave no telhado que acalma, 
o frescor no ar com a dança suave e agradecida das plantas e a vida que se renova em gotas de amor que caem do céu, graciosamente

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Namorados do Mirante


O Mágico veneno


Um mover de olhos, brando e piedoso, 
Sem ver de quê; um riso brando e honesto, 
Quase forçado; um doce e humilde gesto, 
De qualquer alegria duvidoso; 

Um despejo quieto e vergonhoso; 
Um repouso gravíssimo e modesto; 
Uma pura bondade, manifesto 
Indício da alma, limpo e gracioso; 

Um encolhido ousar; uma brandura; 
Um medo sem ter culpa; um ar sereno; 
Um longo e obediente sofrimento; 

Esta foi a celeste formosura 
Da minha Circe, e o mágico veneno 
Que pôde transformar meu pensamento. 

domingo, 9 de julho de 2017

Parrede


Manoel por Manoel




Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do
ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade
do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não
pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem.
Quando era criança eu deveria pular muro do vizinho
para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de
peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra
era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um
serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma
infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais
comunhão com as coisas do que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz
comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e
suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago
das minhas raízes crianceiras a visão comungante e
oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro
me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que
eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua vem
de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde
havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era
o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino
e o rio. Era o menino e as árvores.

Eu


Ser com delícia a condição de outro