Vagando em versos

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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Poema de amor



Teu rosto, no meu rosto, descansado.
Meu corpo, no teu corpo, adormecido.
Bater de asas, tão longe, noutro tempo
sem relógio nem espaço proibido. 

Oh, que atônitos olhos nos contemplam
nos sorriem, nos dizem: Sossegai!
Românticos amantes, viajantes eternos
olham por nós na hora que se esvai!

Que música de prados e de fontes!
Que riso de águas vem para nos levar?
Meu rosto, no teu rosto de horizontes
Meu corpo, no teu corpo, a flutuar.


Natércia Freire

O Rosto que não tem Rosto




[...]

O tempo do vendaval
governa ainda os meus dias.
E um arrais de neves frias
põe cansaços de metal
nas doces melancolias.

Natércia Freire

Fantasmas


[...]

Tudo que em mim é fracasso 
já não tem raiz humana.  
Nas pontas do mesmo laço 
é que o aço nos irmana.

Convosco em pó me desato 
e a viagem não termina.  
Parto de mim em retrato 
no movimento sem ato 
que o Destino me destina.


Natércia Freire

sábado, 16 de setembro de 2017

Liberta em Pedra


[...]


Importa a liberdade
de não ceder à vida
um segundo sequer.

Ser de pedra por fora
e só por dentro ser.
- Falavas? Não ouvi.
- Beijavas? Não senti
Morreram?
Ah! Morri, morri, morri!


[...]


Natércia Freire