Vagando em versos

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O outro lado do Silêncio



Que eu nunca me cale. 
Que eu aprenda a ser 
cada vez mais prudente com minhas palavras, 
mas que eu nunca as troque pelo silêncio. 
Que eu nunca me anule, escondida sob um silêncio 
pseudo-equilibrado. 
Que eu conserve sempre a coragem 
de abrir meu peito,
 meu coração, minhas emoções, 
meu contentamento e descontentamento 
através da palavra, 
pois é a única forma eficiente 
que disponho no momento de mostrar ao outro 
quando me fez feliz e quando me feriu. 
E é a única forma, também, 
de saber onde e quando errei 
e como posso acertar da próxima vez. 
Que eu não morra, meu Grande Criador, 
entalada com minhas mágoas 
e situações mal resolvidas. 
Nem ignore as insatisfações alheias, 
pela falta do diálogo e 
pela prática descabida e excessiva do silêncio. 
Que todos possamos nos entender pela fala, 
pelo diálogo, 
e não nos afastemos pela comodidade
 insossa do silêncio. 
Que possamos discernir entre o silêncio bom e o ruim. 
Que possamos nos lembrar sempre que, 
como as palavras, 
o silêncio também pode se converter em arma letal 
e capaz de impedir 
ou destruir uma convivência harmoniosa.

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