Caio F. Abreu
segunda-feira, 31 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
O riso
Gosto do riso de tudo.
De flores.
De gente.
De bichos.
Dos dias de céu azul lisinho...
Às vezes, eu vejo até o riso contido do que não tem coragem de rir.
Ana Jácomo
De flores.
De gente.
De bichos.
Dos dias de céu azul lisinho...
Às vezes, eu vejo até o riso contido do que não tem coragem de rir.
Ana Jácomo
Conceitos
SAUDADE:
é quando a gente sente uma pessoa dentro da gente; aí lembra que gosta dessa pessoa e fica querendo dizer isso a ela, mas às vezes ela está longe e a gente só pode dizer em pensamento, mas a gente diz, e ela escuta mesmo assim.
"Deixe que seus pensamentos levem você até quem você ama."
segunda-feira, 24 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
Sossega, Coração!
Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Fernando Pessoa
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A Coisa
A gente pensa uma coisa,
acaba escrevendo outra
e o leitor entende uma terceira coisa...
e, enquanto se passa tudo isso,
a coisa propriamente dita
começa a desconfiar
que não foi propriamente dita.
Mário Quintana
Mário Quintana
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Nem sempre sou igual
Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.
Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Por isso quando pareço não concordar comigo,
Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés -
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma …
terça-feira, 18 de maio de 2010
Das Pedras
Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.
Cora Coralina
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.
Cora Coralina
sábado, 15 de maio de 2010
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
Dois
Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.
Pablo Neruda
Pablo Neruda
sábado, 8 de maio de 2010
Dane-se
Vence
quem passa por essa vida rindo.
E se o preço que se paga por ser um pouco feliz
é ser um pouco idiota,
dane-se!
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Jogo do Amor
sorte no jogo
azar no amor
de que me serve
sorte no amor
se o amor é um jogo
e o jogo não é meu forte
meu amor
Paulo Leminski
Paulo Leminski
Poema Triste
Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
Mário Quintana
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!
Mário Quintana
quarta-feira, 5 de maio de 2010
O Meu mundo ficaria completo (com você)
Não é que eu esteja procurando no infinito
a sorte para andar comigo
Se a fé remove até montanhas
o desejo é que torna o irreal possível
Cássia Eller/Nando Reis
Cássia Eller/Nando Reis
Medida Provisória
A partir de agora
Desabilito toda e qualquer palavra.
Dou aos olhos o poder da conquista;
Ao silêncio o dever da perpetuação;
E ao gesto, a obrigação da paz.
Revoguem-se todas as leis em contrário
Pois o amor existe!
Desabilito toda e qualquer palavra.
Dou aos olhos o poder da conquista;
Ao silêncio o dever da perpetuação;
E ao gesto, a obrigação da paz.
Revoguem-se todas as leis em contrário
Pois o amor existe!
terça-feira, 4 de maio de 2010
Olhar
Quando você olhar
nos olhos de outra pessoa,
e de mais outra,
e vir a sua própria alma
retribuindo o olhar,
então você saberá
que atingiu
um outro nível
de consciência.
Brian Weiss
Brian Weiss
Tu e Eu
- Somos diferentes, tu e eu.
- Tens forma e graça
- e a sabedoria de só saber crescer
- até dar pé.
- E não sei onde quero chegar
- e só sirvo para uma coisa
- - que não sei qual é!
- És de outra pipa
- e eu de um cripto.
- Tu, lipa
- Eu, calipto.
-
- Gostas de um som tempestade
- roque lenha
- muito heavy
- Prefiro o barroco italiano
- e dos alemães
- o mais leve.
- És vidrada no Lobão
- eu sou mais albônico.
- Tu ,fão.
- Eu, fônico.
-
- És suculenta
- e selvagem
- como uma fruta do trópico
- Eu já sequei
- e me resignei
- como um socialista utópico.
- Tu não tens nada de mim
- eu não tenho nada teu.
- Tu, piniquim.
- Eu, ropeu.
-
- Gostas daquelas festas
- que começam mal e terminam pior.
- Gosto de graves rituais
- em que sou pertinente
- e, ao mesmo tempo, o prior.
- Tu és um corpo e eu um vulto,
- és uma miss, eu um místico.
- Tu, multo.
- Eu, carístico.
-
- És colorida,
- um pouco aérea,
- e só pensas em ti.
- Sou meio cinzento,
- algo rasteiro,
- e só penso em Pi.
- Somos cada um de um pano
- uma sã e o outro insano.
- Tu, cano.
- Eu, clidiano.
-
- Dizes na cara
- o que te vem a cabeça
- com coragem e ânimo.
- Hesito entre duas palavras,
- escolho uma terceira
- e no fim digo o sinônimo.
- Tu não temes o engano
- enquanto eu cismo.
- Tu, tano.
- Eu, femismo.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Oportunidades
Aprendi
que as oportunidades
nunca são perdidas;
alguém
vai aproveitar
as que você perdeu.
William Shakespeare
William Shakespeare
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
O Diálogo
O diálogo
que leva ao amor
dá a cada um a vontade de se arriscar
não surge da sedução e do charme
mas da coragem de se apresentar
não surge da sedução e do charme
mas da coragem de se apresentar
por nossas
falhas
feridas
feridas
e perdas.
Contardo Calligaris
Contardo Calligaris
quarta-feira, 28 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Livro do Tempo
Deus nos concede,
a cada dia,
uma página de vida nova
no livro do tempo.
Aquilo que colocamos nela,
corre por nossa conta.
Chico Xavier
Chico Xavier
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Velas
Por mais que uma vela por mais que uma vela
seja vizinha seja seguida
de outra chama, pela caravela de sopros,
por mais que uma vela a vela é sempre solitária,
segure a barra do vestido uma forma da luz
na ascensão, uma forma da luz
Ser indigente.
seja vizinha seja seguida
de outra chama, pela caravela de sopros,
por mais que uma vela a vela é sempre solitária,
segure a barra do vestido uma forma da luz
na ascensão, uma forma da luz
Ser indigente.
Fabricio Carpinejar
Sei não...
Imagem de: Wendy Kavenev
sei não... nesse inverno
vi Deus usando botas e esporas por ai...
achei estranho
mesmo assim
melhor confiar
domingo, 25 de abril de 2010
Mal me quer
A vida podia ser apenas estar sentado na erva,
segurar um malmequer e não lhe arrancar as pétalas,
por serem já sabidas as respostas,
ou por serem estas de tão pouca importância,
que descobri-las não valeria a vida de uma flor.
segurar um malmequer e não lhe arrancar as pétalas,
por serem já sabidas as respostas,
ou por serem estas de tão pouca importância,
que descobri-las não valeria a vida de uma flor.
sábado, 24 de abril de 2010
Desejos
A cumprir os meus desejos
Devia dar-vos
Devia dar-vos
- Senhores -
Em vez destes versos - beijos
Em vez de palavras - flores...
Em vez destes versos - beijos
Em vez de palavras - flores...
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Metade
[...]
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade
pra fazê-la florescer
[...]
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Como núvens pelo céu
Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.
São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.
Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?
Fernando Pessoa
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.
São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.
Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?
Fernando Pessoa
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