Vagando em versos

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Diálogo


O diálogo 
que leva ao amor 
dá a cada um a vontade de se arriscar,
não surge da sedução e do charme,
mas da coragem de se apresentar 
por nossas 
falhas,
feridas
e perdas.

A Palavra

terça-feira, 27 de abril de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Velas


Por mais que uma vela                   por mais que uma vela
seja vizinha                                    seja seguida
de outra chama,                             pela caravela de sopros,

por mais que uma vela                  
a vela é sempre solitária, 
segure a barra do vestido              uma forma da luz
na ascensão,                                 
uma forma da luz
                                                        Ser indigente.

Sei não...

Imagem de: Wendy Kavenev



sei não... nesse inverno
vi Deus usando botas e esporas por ai...
achei estranho
mesmo assim
melhor confiar



domingo, 25 de abril de 2010

Mal me quer



A vida podia ser apenas estar sentado na erva,
segurar um malmequer e não lhe arrancar as pétalas,
por serem já sabidas as respostas,
ou por serem estas de tão pouca importância,
que descobri-las não valeria a vida de uma flor.

Superação

A maior força se desenvolve quando 
você supera suas fraquezas.

sábado, 24 de abril de 2010

Desejos



A cumprir os meus desejos
Devia dar-vos 
- Senhores -
Em vez destes versos - beijos
Em vez de palavras - flores...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Imperfeitos

Metade

[...] 
Que a arte nos aponte uma resposta
 mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade 
pra fazê-la florescer 
[...]

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Como núvens pelo céu


Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.

São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.

Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Tigresa




[...]
Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar
Porque ela vai ser o que quis inventando um lugar
Onde a gente e a natureza feliz, vivam sempre em comunhão
E a tigresa possa mais do que o leão 
[...]


Bondade

Uma paixão


[...] 
Vem
com 
teu sabor de açúcar queimado 
em redor da noite
sonhar perto do coração 
que não sabe como tocar-te

segunda-feira, 19 de abril de 2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

Assombros

Às vezes, pequenos grandes terremotos
ocorrem do lado esquerdo do meu peito.

Fora, não se dão conta os desatentos.

Entre a aorta e a omoplata rolam
alquebrados sentimentos.

Entre as vértebras e as costelas
há vários esmagamentos.
Os mais íntimos
já me viram remexendo escombros.
Em mim há algo imóvel e soterrado
em permanente assombro.

Amigo


O amigo é a resposta aos teus desejos. 
Mas não o procures para matar o tempo! 
Procura-o sempre para as horas vivas. 
Porque ele deve preencher a tua necessidade, 
mas não o teu vazio.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Me encante



Me encante com seus olhos...
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar...
E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar..

Na íntegra

Amo este poema!

Modelo: Guilherme Leicam

domingo, 11 de abril de 2010

Entre uma balada e um blues


Quando os bichos dançam com as fadas
Entre uma balada e um blues
A paixão cai da madrugada lá do céu escorrem azuis
Pingam luas, gotas aladas
Entre uma balada e um blues
No repouso das cavalgadas quando a noite abranda essa luz
O calor das mãos apertadas reconforta a mão que conduz
Um amor dos contos de fadas

A Arte de Amar


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

sábado, 10 de abril de 2010

Fera ferida



... Eu sei que flores existiram
mas que não resistiram
a vendavais constantes ...


Roberto Carlos e Erasmo Carlos

O seu santo nome


Não facilite com a palavra AMOR.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Escutatória


A música acontece no silêncio. 
A alma é uma catedral submersa. 
No fundo do mar 
– quem faz mergulho sabe – 
a boca fica fechada. 
Somos todos olhos e ouvidos. 
Aí, livres dos ruídos do falatório 
e dos saberes da filosofia, 
ouvimos a melodia que não havia, 
que de tão linda nos faz chorar.

Impulsividade


Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.

       Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. 
Ou nunca serei.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Espaço Curvo e Finito


Oculta consciência de não ser,
ou de ser num estar que me transcende,
numa rede de presenças e ausências,
numa fuga para o ponto de partida:
um perto que é tão longe,
um longe aqui.

Uma ânsia de estar e de temer
a semente que de ser se surpreende,
as pedras que repetem as cadências
da onda sempre nova e repetida
que neste espaço curvo vem de ti.


Meu mundo e nada mais

terça-feira, 6 de abril de 2010

O Sono das águas

Há uma hora certa,
no meio da noite,
uma hora morta,
em que a água dorme.
Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa, no açude, no brejão,
nos olhos d'água, nos grotões fundos.
E quem ficar acordado, na barranca, a noite inteira,  
há de ouvir a cachoeira parar a queda e o choro,
que a água foi dormir...


Mas nem todas dormem,
nessa hora de torpor líquido e inocente.
Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos nunca tem sono...

A Grande Borboleta


_ A grande borboleta
Leve numa asa a lua
E o sol na outra

E entre as duas a seta

A grande borboleta
Seja completa-
Mente solta_

Par de Asas

 
_ Peguei um par de asas novinhas e fui catar estrelas.
Queimei as pontas dos dedos,
mas nada que um ou dois sopros sorridentes não curem._

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Tempo de Silêncio


_ Este é um tempo de silêncio.
Tocam-te apenas.
E no gesto te empobrecem de afeto.
No gesto te consomem.
Tocaram-te, nas tarde, assim como tocaste,
adolescente, a superfície parada de umas águas?
Tens ainda nas mãos a pequena raiz,
A fibra delicada que a si se construía em solidão?_

Tudo ou nada

Faça com que eu saiba ficar com o nada

e mesmo assim me sentir como se estivesse pleno de tudo...

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